quinta-feira, 18 de junho de 2015

LAUDATO SI - PLANETA EM AFLIÇÃO - On Planet in Distress, a Papal Call to Action - The New York Times

On Planet in Distress, a Papal Call to Action - The New York Times:

'via Blog this'

Impressiona a importância que o mundo está dando para a nova Encíclica Papal a respeito da crise ambiental que a todos atinge.

O link acima nos leva a alguns trechos deste documento do Vaticano.

Texto em português da encíclica "Laudato Si" para leitura na tela ou baixar em PDF. Dá acesso a outras línguas como Inglês, Francês, Espanhol e Italiano.

Temas que permeiam o documento: Pobres, Pobreza, Desigualdades, Desenvolvimento, Deus, Homem e Terra, Unidade, Ecologia, Consumismo, Tecnologia e Finanças, Alternativo, Igreja.

Para ler um bom resumo da encíclica preparado pelo Vaticano clique aqui.

Este blog considera importante destacar que esta encíclica é uma clara iniciativa do Papa, representando a Igreja Católica, de assumir a liderança no processo de busca de soluções para os problemas ecológicos que a todos incide. Há um vácuo de liderança que bem pode ser ocupado por este papa tão carismático.

Chama atenção colocações na encíclica sobre as sugestões bíblicas de um descanso semanal (Sábado) para o homem e outros para a terra (a cada 50 anos)..

Clique em mais informações para outros comentários sobre o documento.


Alguns textos e comentários:

1. Explicação do título:
«LAUDATO SI’, mi’ Signore – Louvado sejas, meu Senhor», cantava São Francisco de Assis. Neste gracioso cântico, recordava-nos que a nossa casa comum se pode comparar ora a uma irmã, com quem partilhamos a existência, ora a uma boa mãe, que nos acolhe nos seus braços: «Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã, a mãe terra, que nos sustenta e governa e produz variados frutos com flores coloridas e verduras»
  • Volta a citar São Francisco de Assis nos parágrafos 10, 11 e 12, quando lembra de sus escolha do nome Francisco.
2. Criacionismo - citado logo no segundo parágrafo:
Esta irmã clama contra o mal que lhe provocamos por causa do uso irresponsável e do abuso dos bens que Deus nela colocou. Crescemos a pensar que éramos seus proprietários e dominadores, autorizados a saqueá-la. A violência, que está no coração humano ferido pelo pecado, vislumbra-se nos sintomas de doença que notamos no solo, na água, no ar e nos seres vivos. Por isso, entre os pobres mais abandonados e maltratados, conta-se a nossa terra oprimida e devastada, que «geme e sofre as dores do parto» (Rm 8, 22). Esquecemo-nos de que nós mesmos somos terra (cf. Gn 2, 7). O nosso corpo é constituído pelos elementos do planeta; o seu ar permite-nos respirar, e a sua água vivifica-nos e restaura-nos.
3. Universalismo e Ecumenismo - encíclica dirigida não somente aos seus fiéis católicos, mas a todos moradores da Terra (parágrafo 3):
Agora, à vista da deterioração global do ambiente, quero dirigir-me a cada pessoa que habita neste planeta. Na minha exortação Evangelii gaudium, escrevi aos membros da Igreja, a fim de os mobilizar para um processo de reforma missionária ainda pendente. Nesta encíclica, pretendo especialmente entrar em diálogo com todos acerca da nossa casa comum.
4. Nos parágrafos 3, 4, 5 e 6 menciona textos de seus antecessores a indicar que a preocupação da Igreja Católica é antiga. Cita em sequência o "Santo Papa" João XXIII, o "Beato" Paulo VI, o "São" João Paulo II e o "predecessor" Bento XVI (aspas minhas). Deste último destacou a seguinte reflexão:
Mas, fundamentalmente, todas elas se ficam a dever ao mesmo mal, isto é, à ideia de que não existem verdades indiscutíveis a guiar a nossa vida, pelo que a liberdade humana não tem limites. Esquece-se que «o homem não é apenas uma liberdade que se cria por si própria. O homem não se cria a si mesmo. Ele é espírito e vontade, mas é também natureza».[12] Com paterna solicitude, convidou-nos a reconhecer que a criação resulta comprometida «onde nós mesmos somos a última instância, onde o conjunto é simplesmente nossa propriedade e onde o consumimos somente para nós mesmos. E o desperdício da criação começa onde já não reconhecemos qualquer instância acima de nós, mas vemo-nos unicamente a nós mesmos».
5. A seguir, parágrafos 7, 8 e 9, volta a enfatizar o caráter universal e ecumênico do documento:
Estas contribuições dos Papas recolhem a reflexão de inúmeros cientistas, filósofos, teólogos e organizações sociais que enriqueceram o pensamento da Igreja sobre estas questões. Mas não podemos ignorar que, também fora da Igreja Católica, noutras Igrejas e Comunidades cristãs – bem como noutras religiões – se tem desenvolvido uma profunda preocupação e uma reflexão valiosa sobre estes temas que a todos nos estão a peito. Apenas para dar um exemplo particularmente significativo, quero retomar brevemente parte da contribuição do amado Patriarca Ecuménico Bartolomeu, com quem partilhamos a esperança da plena comunhão eclesial. 
6. Ataca o consumismo refletindo pensamento de São Francisco de Assis e concluindo (parágrafos 10, 11 e 12):
Se nos aproximarmos da natureza e do meio ambiente sem esta abertura para a admiração e o encanto, se deixarmos de falar a língua da fraternidade e da beleza na nossa relação com o mundo, então as nossas atitudes serão as do dominador, do consumidor ou de um mero explorador dos recursos naturais, incapaz de pôr um limite aos seus interesses imediatos. Pelo contrário, se nos sentirmos intimamente unidos a tudo o que existe, então brotarão de modo espontâneo a sobriedade e a solicitude. A pobreza e a austeridade de São Francisco não eram simplesmente um ascetismo exterior, mas algo de mais radical: uma renúncia a fazer da realidade um mero objecto de uso e domínio.
Por outro lado, São Francisco, fiel à Sagrada Escritura, propõe-nos reconhecer a natureza como um livro esplêndido onde Deus nos fala e transmite algo da sua beleza e bondade: «Na grandeza e na beleza das criaturas, contempla-se, por analogia, o seu Criador» (Sab 13, 5) e «o que é invisível n’Ele – o seu eterno poder e divindade – tornou-se visível à inteligência, desde a criação do mundo, nas suas obras» (Rm 1, 20).
7. Os parágrafos seguintes, 13 a 16, apresentam seu apelo com forte mensagem pela união, defesa dos pobres e crítica às políticas atuas de desenvolvimento. Vejamos trechos:
  • Pretende unir toda a família humana
O urgente desafio de proteger a nossa casa comum inclui a preocupação de unir toda a família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral, pois sabemos que as coisas podem mudar.
  •  Crê na capacidade humana
A humanidade possui ainda a capacidade de colaborar na construção da nossa casa comum.
  • Apela para o diálogo 
Lanço um convite urgente a renovar o diálogo sobre a maneira como estamos a construir o futuro do planeta. Precisamos de um debate que nos una a todos, porque o desafio ambiental, que vivemos, e as suas raízes humanas dizem respeito e têm impacto sobre todos nós.
  • Apela para a solidariedade universal
Precisamos de nova solidariedade universal. Como disseram os bispos da África do Sul, «são necessários os talentos e o envolvimento de todos para reparar o dano causado pelos humanos sobre a criação de Deus».[22] Todos podemos colaborar, como instrumentos de Deus, no cuidado da criação, cada um a partir da sua cultura, experiência, iniciativas e capacidades.
  • Deixa claro de quem é a iniciativa
Espero que esta carta encíclica, que se insere no magistério social da Igreja, nos ajude a reconhecer a grandeza, a urgência e a beleza do desafio que temos pela frente.
  • Apresenta os eixos dos argumentos que trará a seguir em capítulos:
Isto diz respeito especialmente a alguns eixos que atravessam a encíclica inteira. Por exemplo: a relação íntima entre os pobres e a fragilidade do planeta, a convicção de que tudo está estreitamente interligado no mundo, a crítica do novo paradigma e das formas de poder que derivam da tecnologia, o convite a procurar outras maneiras de entender a economia e o progresso, o valor próprio de cada criatura, o sentido humano da ecologia, a necessidade de debates sinceros e honestos, a grave responsabilidade da política internacional e local, a cultura do descarte e a proposta dum novo estilo de vida.
8. No preâmbulo do Capítulo 1 intitulado O QUE ESTÁ A ACONTECER NA NOSSA CASA escorrega por um conceito evolucionista no parágrafo 18:
Embora a mudança faça parte da dinâmica dos sistemas complexos, a velocidadeque hoje lhe impõem as ações humanas contrasta com a lentidão natural da evolução biológica. 
9. Temas do Capítulo I - o olhar é sempre sobre os pobres e as desigualdades.
  • Poluição e mudanças climáticas
  • A questão da água
  • Perda de biodiversidade
  • Deterioração da qualidade de vida humana e degradação social
  • Desigualdade planetária
  • A fraqueza das reações - volta a afirmar que é responsabilidade da humanidade "recriar" a Terra e propõe a imposição de novas regras:
Mas somos chamados a tornar-nos os instrumentos de Deus Pai para que o nosso planeta seja o que Ele sonhou ao criá-lo e corresponda ao seu projeto de paz, beleza e plenitude.
Torna-se indispensável criar um sistema normativo que inclua limites invioláveis e assegure a proteção dos ecossistemas, antes que as novas formas de poder derivadas do paradigma tecno-econômico acabem por arrasá-los não só com a política, mas também com a liberdade e a justiça. 
  • Diversidade de opiniões 
Sobre muitas questões concretas, a Igreja não tem motivo para propor uma palavra definitiva e entende que deve escutar e promover o debate honesto entre os cientistas, respeitando a diversidade de opiniões. Basta, porém, olhar a realidade com sinceridade, para ver que há uma grande deterioração da nossa casa comum. Há regiões que já se encontram particularmente em risco e, prescindindo de qualquer previsão catastrófica, o certo é que o atual sistema mundial é insustentável a partir de vários pontos de vista, porque deixamos de pensar nas finalidades da ação humana: «Se o olhar percorre as regiões do nosso planeta, apercebemo-nos depressa de que a humanidade frustrou a expectativa divina».
10. Capítulo II tem por tema O EVANGELHO DA CRIAÇÃO.
11. Capítulo III
12. Capítulo IV
13. Capítulo V
14. Capítulo VI EDUCAÇÃO E ESPIRITUALIDADE ECOLÓGICAS

  • Apontar para outro estilo de vida: critica o modelo consumista obsessivo e sugere que "Quando somos capazes de superar o superar o individualismo, pode-se realmente desenvolver um estilo de vida alternativo e torna-se possível uma mudança relevante na sociedade".

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